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VALÉRIA E A VIDA

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Não posso comer sem limão

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O conto tradicional português, com texto de Pedro Mésseder e ilustrações de Evelina Oliveira, veio aguçar o interesse dos nossos artistas de palmo e meio.

O Natal das Bruxas

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Esta semana estamos a ler o conto de Ana Maria Magalhães e de Isabel Alçada: " O NATAL DAS BRUXAS",







No castelo tenebroso, estava um ambiente de cortar à faca! As três bruxas não faziam outra coisa senão resmungar, lamentar-se e dar largas à fúria, com pontapés nos gatos e vassouradas nos morcegos.





- Não há dúvida! - berrava a mais velha. - Vivemos aqui há séculos e nunca o Pai Natal se lembrou de nós!
- Nunca, por nunca ser, tivemos um presente no sapatinho!
- No sapatinho? Tu queres dizer é no sapatão. Ora olha bem para o tamanho do teu pé. Calças para aí o quarenta e quatro – respondeu-lhe a irmã mais nova, cheia de maldade, ou não se chamasse ela Rosa Maldosa.
Ao ouvir aquilo, Rita Maldita saltou de trás do caldeirão onde borbulhavam poções maléficas e deu-lhe um estalo.
- Toma que é para aprenderes. Já sabes que não tolero que falem do tamanho dos meus pés! (...)
- És horrorosa, Rosa Maldosa!
- E tu nem chegas a ser parva... és parvalhita, Rita Maldita!




A irmã do meio assistia, abanando a cabeça com visível enfado. Como é que haviam de ter presentes, se se portavam daquela maneira? Brigas constantes afugentavam qualquer Pai Natal bem intencionado. Gostaria de lhes fazer ver que assim não ganhavam nada (...)




- Vamos ao Pólo Norte dizer umas verdades ao Pai Natal!
- Boa ideia! (...)
Num ápice, foram ao baú onde guardavam as casacas de toupeira para ocasiões muito especiais e agasalharam-se. Não era preciso deitarem-se a adivinhar. Sabiam que o vento daquelas bandas era gélido!
Depois assobiaram para chamar as vassouras, montaram e lá foram pela janela fora! Nenhuma confessou, mas iam radiantes! (...)




O Pai Natal, coitado, quando as viu pela frente teve um baque. Que lhe quereriam aquelas três loucas? O mais certo era virem empatá-lo e o pior é que já só tinha uma semana para organizar os lotes das prendas. Tentou encontrar uma boa desculpa para as mandar embora, mas elas não lhe deram tempo e desataram numa gritaria infernal.




- Viemos protestar!
- Exigimos justiça!
- Nós também temos direito. Queremos prendas!
- Prendas como as outras pessoas!
- Não temos culpa de sermos bruxas.
- Nascemos assim, temos que fazer maldades.
- Foi por isso mesmo que nos deram estes nomes começados por mal: Maldosa, Maldita, Maldição!
O pobre velhote deitou as mãos à cabeça. Que havia de fazer para se ver livre delas?
- Vocês sabem muito bem que não posso dar presentes a quem faz patifarias - arriscou com voz débil.
A resposta veio sem frases que se atropelavam num frenesim:
- Patifarias? Patifarias não!
- Asneiras! Pequenos disparates como toda a gente.
- Claro! Somos bruxas, fazemos bruxarias.
- Tudo coisas sem importância: poções para tornar amargo qualquer doce, pozinhos para as crianças poderem arreliar as pessoas mais velhas ou xaropes para as pessoas mais velhas obrigarem os mais novos a irem para a cama. (...)
Receando que discutissem toda a noite, o Pai Natal ordenou:
- Calem-se! Se não se calarem imediatamente garanto-vos que nunca na vida hão-de receber um presente.
A ameaça funcionou. Muito juntas foram-se chegando para ele. Pela conversa, pareceu-lhes que encarava a hipótese de as presentear.
- Vão-se embora - pediu o Pai Natal, agora mais calmo. Deixem-me trabalhar sossegado.
Não prometera nada, mas havia qualquer coisa no tom de voz que lhes deu esperança. Esperança de ver um daqueles lindos embrulhos cair pela chaminé. (...)
Nunca mais chegava a noite de Natal. Nunca mais chegava a hora de saber se desta vez, sim, seriam contempladas. Mas valeu a penal Era meia-noite em ponto quando ouviram uma restolhada sobre as telhas. (...)





Da chaminé desciam lentamente três embrulhos, tão lindos como nunca tinham visto outros!
Ansiosas, precipitaram-se para saber qual era o seu. E o coração derreteu-se-lhes quando deram com os olhos nos cartõezinhos:
- Oh! Já viste o que o Pai Natal escreveu?
- Que querido!
- Adoro o Pai Natal!
- É o velho mais simpático do universo!
A alegria tinha razão de ser. O Pai Natal, em vez de usar os nomes delas, escolhera outros mais a seu gosto: Rita Bonita, Rosa Cheirosa, Conceição Bom-Coração.
Nunca ninguém lhes tinha chamado assim e sentiram-se tão felizes que, por um momento, desejaram proceder como o Pai Natal, apeteceu-lhes alterar as coisas, substituir malefícios por benefícios, enfim, apeteceu-lhes deixar de ser bruxas.
Mas quem é que pode fugir ao seu destino?
Ainda não tinha batido a uma hora, já andavam à bulha com inveja do presente das irmãs.

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, O Natal das Bruxas

"ERA UMA VEZ UM DIA NORMAL DE ESCOLA"

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Álbum narrativo de particular qualidade, esta publicação revela a ligação próxima e cúmplice entre autor e ilustrador no desenvolvimento do tema. As variações cromáticas e a introdução da cor – relembre-se que, no início, todas as imagens se apresentam dominadas pelos cinzentos, sublinhando a rotina e o cinzentismo da escola – simbolizam o desenvolvimento da imaginação da criança, suscitado pela audição da música. Essa dimensão simultaneamente onírica e mágica vai ganhando expressão e as imagens mentais da criança sobrepõem-se à realidade que a envolve, conduzindo-a numa viagem alucinante por diferentes elementos e realidades. Nesse momento da narrativa, as imagens já não necessitam do texto como apoio, uma vez que condensam todas as possibilidades associadas aos elementos terra, ar e água. Retrato de uma escola que, por acção da música, ganha vida e cor, o livro também não deixa de constituir uma crítica, ainda que implícita, à realidade de muitas escolas e de muitas crianças. Para ler e observar com atenção.

Era um dia normal, igual a tantos outros. E um rapaz, também como tantos outros, fez o seu percurso habitual até à escola, como normalmente fazia. O que ele não sabia era que, nesse dia normal, ao conhecer o seu novo professor, algo de EXTRAORDINÁRIO iria acontecer!
Escrito por Colin McNaughton e ilustrado por Satoshi Kitamura, este livro leva-nos à descoberta do imaginário das crianças, através da força inspiradora e poética da música;
ERA UMA VEZ UM DIA NORMAL DE ESCOLA mostra-nos de que forma pode um professor inspirar e motivar uma turma inteira: um livro sobre os adultos que todas as crianças queriam – e deviam – ter!

A costureira das colchas

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Porque queremos que as nossas crianças sintam a beleza nas coisas mais simples, contámos esta história cheia de encanto e ternura:


Era uma vez uma costureira de colchas que vivia numa casa no cimo das montanhas de bruma azulada. Até o mais idoso dos tetravôs não se lembrava de um tempo em que ela não estivesse lá em cima a coser, dia após dia.

Aqui e ali, e onde quer que o sol aquecesse a terra, dizia-se que ela fazia as colchas mais belas que alguma vez se tinha visto.

Os azuis pareciam vir do mais profundo do oceano; os brancos, das neves mais boreais; os verdes e os púrpuras, das abundantes flores silvestres; os vermelhos, os cor-de-rosa e os cor-de-laranja, do mais maravilhoso dos pores-do-sol.

Algumas pessoas diziam que os seus dedos eram mágicos. Outras murmuravam que as suas agulhas e tecidos eram dádivas do povo das fadas. E outras diziam ainda que as colchas tinham caído de anjos que por ali passavam.

Muita gente subia a montanha, com os bolsos a abarrotar de oiro, na esperança de comprar uma daquelas maravilhosas colchas. Mas a costureira não as vendia.

— Dou as minhas colchas aos que são pobres ou não têm casa — dizia a todos os que lhe batiam à porta. — Não são para os ricos.

Nas noites mais frias e escuras, a costureira descia até à cidade, no sopé da montanha. Percorria as ruas calcetadas até encontrar alguém a dormir ao relento. Então, tirava do saco uma manta acabada de fazer, enrolava-a nos ombros dos que tremiam de frio, aconchegava- os bem, e afastava-se depois em bicos de pés.

No dia seguinte, depois de beber uma chávena fumegante de chá de amoras, começava uma nova manta.

Por esta altura, vivia também um rei, senhor de muito poder e ambição, que, mais do que tudo, gostava de receber prendas.

Os milhares e milhares de lindíssimos presentes que recebia pelo Natal e pelo seu aniversário nunca lhe chegavam. Proclamou, então, uma lei que dizia que o rei passaria a festejar o seu dia de aniversário duas vezes por ano.

Quando isto também deixou de o satisfazer, deu ordens aos seus soldados para procurarem pelo reino as poucas pessoas que ainda não lhe tinham dado prenda alguma.

No decurso dos anos, o rei foi ficando com quase todas as coisas mais bonitas do mundo. Os seus inúmeros bens estavam empilhados um pouco por todo o castelo. Em gavetas ou prateleiras, em caixas e arcas, em armários e sacos.

Coisas que brilhavam, cintilavam e tremeluziam.

Coisas extravagantes e práticas.

Coisas misteriosas e mágicas.

Eram tantas, que o rei tinha uma lista de tudo o que possuía.

Mas, apesar de ser dono de todos estes tesouros maravilhosos, o rei não sorria. Não era nada feliz.

— Deve haver, algures, algo de bonito que me faça, finalmente, sorrir — ouvia-se o rei dizer muitas vezes. — E hei-de tê-lo.

Um dia, um soldado entrou precipitadamente no castelo com a notícia de uma mágica costureira de colchas que vivia nas montanhas.

O rei bateu com o pé no chão.

— E por que razão essa pessoa nunca me deu nenhuma das suas colchas de presente? — perguntou ele.

— Ela só as faz para os pobres, Vossa Majestade — respondeu o soldado. — E não as vende por dinheiro algum.

— Isso é o que vamos ver! — bradou o rei. — Tragam-me um cavalo e mil soldados.

E partiram à procura da costureira de colchas.

Quando chegaram a casa dela, esta limitou-se a rir.

— As minhas colchas são para os pobres e necessitados, e vê-se facilmente que não és nem uma coisa nem outra.

— Eu quero uma dessas colchas — exigiu o rei. — Talvez seja o que finalmente me fará feliz.

A mulher pensou por um momento.

— Oferece tudo o que tens — disse — e então far-te-ei uma manta. Por cada prenda que deres, acrescento um quadrado à manta. Quando tiveres dado todas as tuas coisas, a tua manta estará terminada.

— Dar todos os meus maravilhosos tesouros? — gritou o rei. — Eu não dou, eu recebo!

E, dito isto, deu ordem aos soldados para se apoderarem da linda manta de estrelas da costureira.

Mas, quando se precipitaram sobre ela, a mulher lançou a manta pela janela e uma forte rajada de vento levou-a.

O rei ficou muito zangado. Levou a costureira montanha abaixo, atravessou a cidade e subiu outra montanha, onde os seus ferreiros reais fizeram uma grossa pulseira de ferro. Acorrentaram-na a uma rocha, na gruta de um urso que estava a dormir.

O rei pediu-lhe novamente uma manta, e uma vez mais ela recusou.

— Muito bem, então — respondeu o rei. — Vou deixar-te aqui. Quando o urso acordar, tenho a certeza de que vai fazer de ti um óptimo pequeno-almoço.

Quando, algum tempo mais tarde, o urso abriu os olhos e viu a costureira na gruta, equilibrou-se nas fortes pernas traseiras e soltou um rugido que sacudiu os ossos da mulher. A costureira ergueu os olhos para o urso e abanou tristemente a cabeça.

— Não admira que sejas tão resmungão — disse. — Para além de rochas, não tens nada onde possas à noite descansar a cabeça. Arranja-me um braçado de agulhas de pinheiro e, com o meu xaile, far-te-ei uma almofada grande e fofa.

E foi isso que fez. Nunca ninguém fora antes tão amável para com o urso. Este partiu a pulseira de ferro da mulher e lhe pediu que lhe fizesse companhia durante a noite.

Mas, embora o rei desempenhasse bem o papel de homem ambicioso, desempenhava mal o papel de homem malvado. Durante toda a noite não conseguiu dormir, a pensar na pobre mulher, na gruta.

— Oh, meu Deus, o que é que eu fui fazer? — lamentava-se.

Acordou os soldados e lá marcharam todos em pijama até à gruta, para a salvarem. Mas, quando chegaram, o rei encontrou a costureira e o urso a tomarem um pequeno-almoço de frutos silvestres e mel.

Então, o rei esqueceu por completo a pena que sentira e voltou a ficar zangado. Ordenou aos construtores reais de ilhas que construíssem uma ilha tão pequena que a costureira só lá pudesse ficar em bicos de pés.

Novamente o rei lhe pediu uma manta e novamente ela recusou.

— Muito bem — respondeu o rei. — Esta noite, quando estiveres demasiado cansada para te manteres em pé e quiseres deitar-te para dormir, afogar-te-ás.

E o rei deixou-a só na minúscula ilhota.

Pouco depois de ele partir, a costureira viu um pardal atravessar o grande lago. Soprava um vento forte e violento e o pobre pássaro não parecia capaz de chegar a terra. A costureira chamou-o e ele poisou no ombro dela para descansar. Como o pobre e cansado pardal estava a tremer, a senhora fez-lhe uma capa de um pedaço de tecido do seu colete púrpura.

Quando a ave se sentiu mais quente e o vento parou de soprar, levantou voo de novo, grato pelo que a costureira lhe tinha feito.

Dali a pouco, o céu escureceu devido a uma enorme nuvem de pardais. Com as asas sempre a bater, milhares deles desceram, pegaram na mulher com os seus pequeninos bicos e levaram-na em segurança para terra.

Novamente nessa noite, o rei não conseguia dormir a pensar na senhora, sozinha na ilha.

— Oh, meu Deus, o que é que eu fui fazer? — lamentava-se.

Voltou a acordar os soldados que estavam a dormir, e lá marcharam em pijama até ao lago, para libertarem a costureira. Mas, quando chegaram, ela estava sentada no ramo de uma árvore a coser minúsculas capas cor de púrpura para todos os pardais.

— Desisto! — gritou o rei. — O que tenho de fazer para me dares uma manta?

— Como já te disse — respondeu ela — oferece tudo o que tens e eu faço-te uma manta. E, por cada prenda que dês, acrescento mais um quadrado à tua manta.

— Não consigo fazer isso! — gritou o rei. — Eu adoro todas as minhas lindas e maravilhosas coisas.

— Mas, se elas não te fazem feliz — retorquiu a costureira — para que servem?

— Lá isso é verdade — suspirou rei.

E pensou muito, muito, no que ela dissera. Pensou durante tanto tempo, que as semanas se sucederam umas às outras.

— Pronto, está bem — disse entredentes. — Se tenho de me libertar dos meus tesouros, então que seja!

O rei regressou ao castelo e procurou, de uma ponta a outra, qualquer coisa da qual conseguisse abdicar.

De sobrolho franzido, lá acabou por encontrar um simples berlinde. Só que o rapazinho que o recebeu retribuiu-lhe o gesto com um sorriso tão radiante, que o rei regressou ao castelo para ir buscar mais coisas.

Por fim, pegou num monte de casacos aveludados e foi distribuí- los pelas pessoas vestidas de trapos. Ficaram todas tão contentes, que se puseram a desfilar pelas ruas da cidade.

Mas, ainda assim, o rei não sorria.

Em seguida, foi buscar uma centena de gatos siameses azuis, que dançavam valsas, e uma dezena de peixes transparentes como vidro. Depois, deu ordem para que trouxessem para fora o carrocel com os cavalos verdadeiros. As crianças gritaram de entusiasmo e puseram-se a dançar em redor dele.

O rei olhou à sua volta e viu as danças, a felicidade e a alegria que os seus presentes tinham trazido. Uma criança pegou-lhe na mão e puxou-o para dançar. O rei agora sorria e até soltava gargalhadas.

— Como é isto possível? — exclamou. — Como é possível eu sentir-me tão feliz por dar as minhas coisas? Tirem tudo cá para fora! Tirem tudo imediatamente!

Entretanto, a costureira manteve a sua palavra e começou a fazer uma manta especial para o rei. Por cada presente que ele dava, ela acrescentava mais um quadrado à manta.

O rei continuou a dar e a dar. Quando, por fim, não havia mais ninguém que não tivesse recebido alguma coisa, o rei decidiu ir pelo mundo e procurar outras pessoas que precisassem das suas prendas.

Antes de partir, o rei prometeu à costureira que lhe enviaria um pardal, de todas as vezes que desse alguma coisa.

De manhã, à tarde e à noite, as carroças partiam da cidade, cada uma delas carregada até cima com todos os objectos maravilhosos do rei. E durante anos e anos, os pardais mensageiros foram voando até ao peitoril da janela da costureira, à medida que ele ia esvaziando lentamente os seus carros por onde quer que passasse, trocando os seus tesouros por sorrisos.

A costureira trabalhava sem parar e, pedaço a pedaço, a manta do rei foi crescendo, cada vez maior e mais bonita.

Por fim, certo dia, um pardal cansado entrou-lhe pela janela e poisou na agulha. A costureira compreendeu imediatamente que este era o último mensageiro. Deu o último ponto na manta e desceu a montanha em busca do rei.

Após uma longa busca, encontrou-o finalmente. As suas vestes reais estavam agora em farrapos e os dedos dos pés espreitavam-lhe das botas. Os olhos brilhavam de alegria e o riso era maravilhoso e sonoro. A costureira retirou do saco a manta e desdobrou-a. Era de tal forma bela, que borboletas e colibris esvoaçavam à sua volta. Ergueu- se em bicos de pés e pô-la à volta do rei.

— O que é isto? — exclamou ele.

— Prometi-te há muito tempo — disse ela — que, quando fosses pobre, te daria uma manta.

O sorriso radiante do rei fez cair maçãs e levou as flores a voltarem-se para ele.

— Mas eu não sou pobre — disse. — Posso parecer pobre mas, na verdade, o meu coração está cheio a mais não poder, com as recordações de toda a alegria que dei e recebi. Agora sou o homem mais rico.

— Mesmo assim, fiz esta manta só para ti — disse a costureira.

— Obrigado — respondeu o rei. — Mas só fico com ela se aceitares uma prenda minha. Há um último tesouro que ainda não dei. Guardei-o todos estes anos para ti.

O rei retirou o seu trono do carro velho e frágil.

— É mesmo muito confortável — disse o rei. — E o ideal para quem passa longos dias a coser.

A partir desse dia, o rei voltou muitas vezes à casa da costureira de colchas, que ficava bem lá em cima, perto das nuvens.

Durante o dia, a costureira fazia lindas colchas que não vendia e, à noite, o rei levava-as para a cidade. Procurava, então, os pobres e infelizes, pois nunca se sentia tão feliz como quando dava alguma coisa a alguém.

Jeff Brumbeau
The quiltmaker’s gift
New York, Orchard Books, 2000
tradução e adaptação

OS SAPATOS DO PAI NATAL...

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José Fanha conta-nos, neste livro, a canseira, a lufa-lufa e o desassossego que passa o Pai Natal para levar todas as prendas, a tempo e a horas, a todos os meninos na noite mágica de Natal.

Esta história foi vivida pelo autor. Foi ele o Pai Natal, durante vários anos, para dar às filhas Sara e Matilde, a alegria da visita do velhinho de barbas compridas e brancas no dia 25 de Dezembro.


Quem quiser saber como José Fanha se tornou Pai Natal e como teve um grande problema com aos sapatos, terá de ler a história até ao fim com a ajuda dos divertidos desenhos da Sandra Serra que muito ajudam a visualizar as várias trapalhadas vividas pelo Pai Natal.


Nós gostámos da história e aconselhamos a lê-la!

TOMÉ DESCOBRE EMOÇÕES

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Aproveitámos o conto do autor Ernest Dichter e traduzido por Maria Alberta Meneres : “TOMÉ DESCOBRE EMOÇÕES”, para trabalharmos com as emoções.

Todas as nossas emoções, tais como: alegria, tristeza, ansiedade, medo, raiva..., são fundamentais nos nossos relacionamentos e na nossa qualidade de vida, portanto, é essencial conhecê-las e com elas trabalharmos, ao longo deste ano lectivo.

Vamos aprender a identificar as nossas emoções e percebermos como elas podem influenciar a nossa maneira de estar e de nos conhecermos.

Reflectir sobre tudo isso pode ser um modo diferente e interessante de começar o ano lectivo.

O Tesouro, de Manuel António Pina

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Histórias de Muitas Cores

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Depois de As Quatro Portas do Céu (2000), em 2001, Rosa Lobato de Faria reedita Histórias de muitas cores, livro destinado aos mais pequenos e publicado, pela primeira vez, já em 1987.

Trata-se de uma narrativa contada na primeira pessoa por uma voz infantil, Fá, uma menina de sete anos, que caiu de bicicleta e que partiu uma perna. Vendo-se, assim, imobilizada, a menina faz-se, então, acompanhar de um amigo especial, o Tintas, que saiu da caixa dos lápis de cor e «tem a mania de contar a história de todas as cores.»

E é portanto com a Fá e com o Tintas, que os nossos pequenos leitores vão percorrer todas as cores do arco-íris, cada uma com a sua história e os seus personagens próprios.

Uma história que se desdobra afinal em várias histórias, numa admirável combinação de cor e fantasia que constitui um excelente incentivo à leitura e um poderoso estímulo à criatividade infantil.

Muito em síntese, julgamos que o resultado deste texto, assinado pela autora de A Trança de Inês (2001) e acompanhado das ilustrações da criação de Marta Albernaz, é, assim, uma espécie de convite, através da leitura e essencialmente da imaginação, a uma divertida arrumação de tonalidades.



A lesma constipada

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Devemos sempre desejar tudo. Podemos nunca vir a ter o que queremos ou mesmo perder tudo o que temos neste momento em mãos, mas devemos sempre tentar agarrar as estrelas. Ficamos assim com um sabor de céu no céu-da-boca. Apesar de poder sonhar com um lugar igual ao do universo escondido na casca de um caracol, a mais constipada lesma deseja sempre mais. Tudo maior, tudo o que faça sombra ao que é demasiado pequenino e apertado. Tudo quer e tudo pode vir a perder, a lesma que espirra, constipada, mas o brilho que fica nos olhos depois de desejarmos o Universo inteiro, esse ninguém lho tira...

Bruno Santos é o autor e ilustrador de: “A lesma Constipada”, nasceu no Norte, em 1960, e estudou Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e também Design e Ilustração. Ganhou o Prémio de Literatura Ferreira de Castro e deu aulas de desenho e ilustração.

Tudo sobre o Natal

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Isabel Lamas e Catarina Cardoso escreveram este livro que nos fala de: "Tudo Sobre o Natal"

É Natal! É Natal! Já nasceu Jesus! O pinheiro que fizemos brilha com a luz.” Este livro ensinou-nos tudo o que há para saber sobre esta quadra tão festejada em todo o mundo. As tradições, os contos, os enfeites e as suas histórias, o Pai Natal, e muitas, muitas ideias para pôr em prática nas nossas festas.

Aprendemos e conhecemos algumas das tradições portuguesas.

Querem conhecer...???

A tradição portuguesa diz-nos que era o Menino Jesus que trazia os presentes aos meninos que se portavam bem. Mais tarde, os presentes começaram a ser dados pelo Pai Natal.

Os nossos símbolos Natalícios mais importantes são a árvore de Natal e o presépio com: uma manjedoura, animais, pastores, os três reis magos, Maria, José e o menino Jesus.

Em Portugal, o presépio foi sempre mais utilizado do que a árvore de Natal. O presépio teve origem em Itália, com São Francisco de Assis, que pediu a um homem chamado Giovanni Villita que criasse um presépio à frente do qual o Santo celebrou missa.

Pomos o sapatinho em frente à lareira ou debaixo da árvore de Natal.

As casas, as ruas e as lojas estão decoradas com grinaldas e decorações natalícias.

Nas nossas casas não pode faltar o presépio e uma árvore de Natal.
Temos ainda, variantes tradições de Natal, nos vários pontos do País, mas em todo o lado se festeja com decorações, prendas, com a união da família e refeições em comum.

A ceia de Natal, respeitando o jejum da quadra, inclui bacalhau cozido com batatas e verduras, tudo bem regado com azeite.

No norte do País come-se polvo assado e outros pratos e doces da época.

Ao aproximar-se a meia-noite, muitas famílias vão à Missa do Galo. Onde é costume beijar o Menino, como prova de devoção.

No regresso a casa... é hora para se verem os presentes.

No dia de Natal come-se peru assado, roupa velha e muitos doces deliciosos, como filhoses, azevias, sonhos, coscorões, broas, rabanadas, bolo-rei e frutos secos.

A verdadeira história do Pai Natal

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Esta semana, para os mais pequeninos, lemos a história: "A verdadeira história do Pai Natal" de Colette Seigue e Téo Puebla.

"Conhecem a verdadeira história do Pai Natal? Gonçalo, o herói desta história, com a ajuda das renas "Stem" e Schuss" vai desvendar todos os segredos do país do Pai Natal."


Para os alunos dos 3.º e 4.º Anos escolhemos:



Bom Natal, Pai Natal de José Jorge Letria, conta-nos a história de um carteiro que se torna Pai Natal com a ajuda do grande escritor Hans Christian Andersen.

Este Pai Natal, vai-se modernizando através dos tempos. Mas... a doçura, a meiguice e ternura mantem-se!




Maria Castanha

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O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.

Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelaremos meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac, crac - debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.

Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.

Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.




- Como te chamas? – perguntaram-lhe.

- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha.

- Que engraçado, Maria Castanha! Queres brincar?

- Quero.

Foram brincar ao jogo do apanhar.

A Maria Castanha corria mais do que todos.

- Quem me apanha? Ninguém me apanha!

- Ninguém apanha a Maria Castanha!

Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele.
Pimba!

O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão.

A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.

- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.

- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.

- Eu ajudo a apanhar tudo – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.

E os outros ajudaram também.

Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.

- Onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.

- Foram à procura de emprego.

- E tu?

- Vinha à procura de amigos.

- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.

- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.

E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos.

Depois, disse:
- Quando os amigos se encontram é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?

- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.

- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há – disse Maria Castanha.

- Pois vais saber como é bom.

E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume.
Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!

- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.

- Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.

Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem.

E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.

- É bom é – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.

- Se me queres ajudar podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?

A Maria Castanha não sabia mas aprendeu.




É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.



Em casa, com a ajuda de familiares, fizemos a nossa Maria Castanha.








A Lenda de S. Martinho

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Martinho, o soldado romano, cortou a capa ao meio para partilhar com o pobre homem.

Conta a lenda, que num dia muito frio, S. Martinho, um valente soldado romano, encontrou à beira do caminho, um mendigo quase nu que pedia ajuda e lhe fez muita pena.

Como o vento soprava violentamente e a chuva gelada caía sem parar, S. Martinho não hesitou em prestar-lhe ajuda. Parou o cavalo e, em seguida, com a espada, cortou a sua capa ao meio e deu metade ao mendigo. Ao preparar-se para retomar o seu caminho, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou limpo e um sol de estio inundou a Terra de luz e calor.

É a estes dias do mês de Novembro que o povo chama Verão de S. Martinho.

Adaptação: Noélia Ataíde

Matilde- Vai-te embora ó medo !!! - Mary Katherine Martins e Silva

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Para os mais pequenitos, escolhemos, para ler, um livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura: Matilde- Vai-te embora ó medo !!! - de Mary Katherine Martins e Silva.





"A mamã deitou a Matilde na cama, deu-lhe o Barnabé para a mão e explicou à Matilde que toda a gente tem um bocadinho de medo de qualquer coisa. Até o papá e a mamã têm medo de alguma coisa.
'- O que temos de fazer é ser valentes. Assim o medo assusta-se e vai-se embora' - disse a mamã."

Gostámos da história!

Histórias da dona Esperança

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Esta semana lemos uma história encantadora: "O Pincel Mágico".

Cheia de encanto e de ternura foi esta história, passada na China, com um menino muito especial. Ele tem um coração grande, gosta de ajudar os outros e é um grande artista. Os seus trabalhos, executados com o Pincel Mágico, que lhe foi oferecido por um sábio, tornam-se reais. Com o seu talento, Li Yiu ajuda o povo, da sua pequena aldeia que é governada por um ganancioso e tirano Imperador.

Este livro é da autoria de Heitor Lourenço.




Heitor Lourenço, licenciado em Psicologia, actor multifacetado, encarna as personagens com paixão e dedicação.
“AS HISTÓRIAS DA D. ESPERANÇA” é um livro que nasce de um trabalho que todos devíamos levar muito a sério: o voluntariado.
Como a maior parte do voluntariado que o autor pratica é realizado no âmbito da preciosa “Hora do Conto” da Fundação do Gil.


Gostámos deste autor e esperamos novas obras.

Camila Não Quer Emprestar os Seus Brinquedos

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Cheia de encanto e ternura foi a história de Aline de Pétigny e Nancy Delvaux: "Camila Não Quer Emprestar os Seus Brinquedos".


Camila convida os seus amiguinhos, Beatriz e Celestino, para brincarem com ela. Leva-os para o quarto. Mas… os amiguinhos correm para brincarem com os bonecos.
Beatriz, adormece a Ritinha, a boneca, e Celestino constrói uma enorme casa com os legos...Camila não gosta de os ver pegar nos seus brinquedos e fica amuada. A mãe diz-lhe que é preciso partilhar… Á tardinha já todos eram amigos e partilhavam brinquedos, roupas e brincadeiras…

Com texto de Isabel Zambujal e ilustrações de Helena Nogueira foi o livro: Esta é a história da Glória, uma menina que precisava de ouvir histórias enquanto dormia. Por isso, a sua família e amigos ajudavam, um de cada vez, no sono da menina. Como "perder uma noite de sono com tanta frequência não deixa ninguém bem-disposto", era necessário encontrar uma solução para o problema da Glória. Uma história sobre histórias, com encanto e humor.

Finalmente, a "Lenda da Caparica" para os alunos do 4.º Ano de Escolaridade. Ficaram a conhecer que Caparica vem de:

capa + rica = CAPARICA

Foi de uma pobre e velha capa,
única pertença da Miúda, que nasceu o nome do local onde residimos.